A Biblioteca Municipal de Penafiel acolhe a exposição documental: António Nobre – “O Poeta do Só”. A inauguração da exposição terá lugar no sábado e será seguida de um debate com Alfredo de Sousa e António José Queirós em torno de António Nobre.
A Biblioteca Municipal de Penafiel acolhe a exposição documental: António Nobre – “O Poeta do Só”. A inauguração da exposição terá lugar no sábado e será seguida de um debate com Alfredo de Sousa e António José Queirós em torno de António Nobre.
O projecto Poesia in Progress organiza amanhã, dia 27 de Maio, às 21.45, no Café Progresso, no Porto, uma sessão de homenagem à poesia de António Nobre, tendo como fundo musical a obra de Chopin.
António Ramalho de Almeida apresentará Só , “o livro mais triste que há em Portugal”, nas palavras de António Nobre, sendo que a sessão contará ainda com a leitura de poemas por Suzana Guimarães e Armindo Cerqueira.
“É tempo de retomar esta poesia na sua exuberância verbal, explosão criativa e sentimental, melancolia dolorosa, mas também na exaltação nostálgica de vidas sonhadas ou vividas”, escreve a organização do evento.
“Cerca de 60 anos antes do nascimento do poeta do Porto nascia Frédéric Chopin, e estes dois grandes vultos do séc. XIX, apesar da distância no tempo e no lugar em que exerceram as suas artes, poética e musical, tiveram semelhantes percursos e destinos, do nascimento à morte.”
António Nobre faleceu faz hoje 110 anos. Nascido no Porto, a 16 de Agosto de 1867, morreu com apenas 33 anos. Em 1888 matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Desistiu e partiu para Paris, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas, licenciando-se
Figura entre os grandes poetas de literatura portuguesa, com as obras Só (Paris, 1892), Despedidas (1902) e Primeiros Versos (1921), os dois últimos publicados já depois da sua morte.
Os livros da BIS são cada vez mais uma companhia indispensável para os leitores portugueses. E o número de fãs na blogosfera não pára de crescer. Hoje vamos dar destaque ao blogue Na Companhia dos Livros, um espaço onde Isabel Maia revela toda a sua paixão pela leitura, dando a conhecer algumas obras indispensáveis e embelezando as suas críticas com excertos escolhidos por si.
A crítica de A Casa da Rússia, de John le Carré, para ler aqui.
A crítica de A Conjura, de José Eduardo Agualusa, para ler aqui.
A crítica de Inês de Portugal, de João Aguiar, para ler aqui.
A crítica de Alma, de Manuel Alegre, para ler aqui.
A crítica de Terra Sonâmbula, de Mia Couto, para ler aqui.
A crítica de Os da Minha Rua, de Ondjaki, para ler aqui.
A crítica de O Vale da Paixão, de Lídia Jorge, para ler aqui.
A crítica de Só, de Antonio Nobre, para ler aqui.
A crítica de As Aventuras de Robinson Crusoe, de Daniel Defoe, para ler aqui.
A crítica de O Processo, de Franz Kafka, para ler aqui.
Ora isto, Senhores, deu-se em Trás-os-Montes,
Em terras de Borba, com torres e pontes.
Português antigo, do tempo da guerra,
Levou-o o destino pra longe da terra.
Passaram os anos, a Borba voltou,
Que linda menina que, um dia, encontrou!
Que linhas fidalgas e que olhos castanhos,
E, um dia, na Igreja correram os banhos.
Mais tarde, debaixo dum signo mofino,
Pela lua-nova, nasceu um menino.
Ó mães dos Poetas! sorrindo em seu quarto,
Que são virgens antes e depois do parto!
Num berço de prata, dormia deitado,
Três moiras vieram dizer-lhe o seu fado
(E abria o menino seus olhos tão doces):
«Serás um Príncipe! mas antes… não fosses.»
Sucede, no entanto, que o Outono veio
E, um dia, ela resolve ir dar um passeio.
Calçou as sandálias, toucou-se de flores,
Vestiu-se de Nossa Senhora das Dores:
«Vou ali adiante, à Cova, em berlinda,
António, e já volto…» E não voltou ainda!
Vai o Esposo, vendo que ela não voltava,
Vai lá ter com ela, por lá se quedava.
Ó homem egrégio! de estirpe divina,
De alma de bronze e coração de menina!
Em vão corri mundos, não vos encontrei
Por vales que fora, por eles voltei.
E assim se criou um anjo, o Diabo, o lua:
Ai corre o seu fado! a culpa não é sua!
Sempre é agradável ter um filho Virgílio,
Ouvi estes carmes que eu compus no exílio,
Ouvi-os vós todos, meus bons Portugueses!
Pelo cair das folhas, o melhor dos meses,
Mas, tende cautela, não vos faça mal…
Que é o livro mais triste que há em Portugal!
António Nobre faleceu faz hoje 109 anos. Nascido no Porto, a 16 de Agosto de 1867, morreu com apenas 33 anos. Em 1888 matriculou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Desistiu e partiu para Paris, onde frequentou a Escola Livre de Ciências Políticas, licenciando-se
Figura entre os grandes poetas de literatura portuguesa, com as obras Só (Paris, 1892), Despedidas (1902) e Primeiros Versos (1921), os dois últimos publicados já depois da sua morte.