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LEYA BIS – LIVROS DE BOLSO

LIVROS DE BOLSO DA COLECÇÃO BIS

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“A LEITURA É UM PRAZER QUASE SENSUAL” – ANTÓNIO LOBO ANTUNES

A leitura é um prazer quase sensual, afirmou o escritor português António Lobo Antunes ao dizer-se frustrado por não ter sido um poeta, “por falta de talento”.

Após participar como destaque no maior evento literário no Brasil realizado na cidade histórica de Paraty no último fim de semana, Lobo Antunes esteve no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, e falou sobre o seu processo de criação a estudantes, académicos e interessados na sua literatura.

“Eu queria mesmo era ser poeta, mas não fui por falta de talento”, disse, ao considerar que todo o bom livro é um “testemunho pessoal da arte de escrever” e que o desafio na escrita é transformar a utopia em realidade. “Se é que a realidade existe”, pondera.

Para o autor distinguido com o Prémio Camões de 2007, é preciso transformar a escrita num prazer, “se não ela torna-se numa chatice, ela tem de espantar aos outros e espantar a si mesmo”.

Ao destacar que a escrita é muito difícil, Lobo Antunes diz que tem de se colocar utopias impossíveis como “vou escrever um livro impossível” e assim procurar em cada livro “a sua própria voz”.

“O livro ideal seria aquele em que todas as páginas fossem um espelho, que reflectissem o leitor e o escritor”, realçou, ao referir que o que interessa é a emoção provocada pelo livro.

“O livro muda a cada vez que se lê, esta é uma coisa boa da literatura. Temos tendência a abrir os livros com as nossas chaves, nossas experiências”.

Ao escrever, Lobo Antunes disse que a mão do escritor deve estar “feliz”. E complementou que “isso é, ao mesmo tempo, muito mais simples e muito mais complexo”.

Ao ser questionado sobre os ciclos por que a sua literatura passou, como foi classificado por críticos, tendo influências autobiográficas na década de 70, em seguida, nos anos 80 com registos satíricos e paródicos, e ainda abordando uma problemática psicológica e social das relações humanas e depois os aspectos do poder e de suas manifestações em Portugal, Lobo Antunes foi enfático: “Eu só estou preocupado em escrever, depois vêm os críticos, os estudiosos, é terrível.”

A escrita, segundo disse, vem de zonas desconhecidas. “Não tenho objectivo, não penso em mais nada. Eu fico sempre surpreendido com as análises dos críticos. A mim surpreende-me, é muito curioso que haja muitos estudos.”

Para o autor, que já publicou 21 romances, o livro tem de ser feito com “sentidos, vem de dentro para fora”.

“Eu estava tão preocupado em fazer os livros que apenas queria fazê-los em paz”, afirmou em resposta sobre as suas pretensões ao escrever, se teria alguma relação social ou política nas suas escritas.

E destacou ainda que a criação física, artística ou literária “continua inexplicável”. A capacidade de criar e inventar são “inconscientes”, sublinhou. “A vocação artística é multiforme. A gente não pode explicar as emoções mais fundas como o ódio, o amor, o orgasmo.”

LUSA

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