LIVROS NO BOLSO
Pequeno mas contendo grandes obras, o livro de bolso está a voltar em força ao mercado. Já é rara a livraria, posto de gasolina ou aeroporto que não tenha nas prateleiras estes pequenos exemplares.
A leitura é um momento de relaxamento, descontracção e paz. Um momento que temos com nós mesmos e nos permite esquecer quem somos e o que nos atormenta para passarmos a entrar num mundo imaginário onde encarnamos os mais diferentes personagens. Porque o mundo imaginário é tão vasto como o real, criaram-se formas de transportar as fantasias de forma mais leve, prática e principalmente mais barata. Assistimos assim ao renascer dos livros de bolso.
Funcional, acessível e moderno, este formato de livro é legível em qualquer lado, basta para isso ter um espaço do tamanho de um bolso. Com um lettering moderno, tamanho de letra maior e lombada flexível, a nova colecção BIS, da Leya, vem contradizer o que se acreditava serem dados adquiridos neste tipo de edições: papel de má qualidade, lombadas que partem facilmente, más traduções, capítulos truncados, etc. A BIS apresenta uma colecção cuidada, com as melhores traduções disponíveis, minuciosamente revistas e com uma coerência gráfica única. Telmo Tenente, director de marketing da editora, explica que esta colecção nasceu da capacidade que o grupo Leya tem em reunir, dos vários catálogos, títulos que em formato bolso podem ter uma segunda vida e podem também chegar a leitores que procuram obras que se encontram esgotadas. “Os aspectos diferenciadores são assim a imagem gráfica única, traduções e revisões cuidadas que no final permitem um objecto, apesar do pequeno formato, de altíssima qualidade. São pequenos livros de luxo.”
A nova colecção de livros de bolso oferece uma nova série de títulos de autores portugueses e estrangeiros seleccionados pela elevada aceitação no mercado das versões originais. Esta selecção abre uma nova vertente – a dos bestsellers recentes – onde até agora pontuaram obras clássicas e contemporâneas da literatura portuguesa e estrangeira, bem como livros de leitura recomendada. Telmo conta que as expectativas para a colecção são boas pois neste momento a BIS “é líder de mercado, tendo, neste primeiro ano, colocado obras fundamentais da literatura mundial com especial preponderância dos autores de língua portuguesa. A nova linha dentro da colecção BIS irá disponibilizar os grandes bestsellers dos últimos anos, providenciando autores e títulos para todos os leitores.”
A ideia fundamental é criar uma combinação de preço, formato e acessibilidade para que o livro e o momento de leitura sejam acessíveis a todos os portugueses.
Apesar do bom momento que este segmento está a ter, nem sempre foi assim. Ainda não existe uma cultura de livro de bolso mas já começa a existir algum hábito em comprar livros deste tipo. O director de marketing explica que no caso da BIS “os livros editados quebraram a percepção negativa que este formato teve durante muito tempo no mercado português e já são adquiridos por quem ou quer ‘experimentar’ novos autores e novos títulos a um preço simpático ou por quem já vê nesta colecção um objecto tão digno como os restantes formatos existentes.”
Lá fora, o livro de bolso ou paperback são dado adquirido de qualquer livro pois o seu preço é reduzido e existe maior probabilidade de este se tornar um bestseller. Neste formato, a possibilidade do livro ser aceite para venda em supermercados, bombas de gasolina, estações de comboios e metro assim como em aeroportos é muito maior, quadruplicando a hipótese de venda. “Portugal é um país com um mercado de dimensão reduzida e que ainda olha para o livro de uma forma reverencial e demasiado séria”, explica Telmo Tenente. “Isto leva a que a maior parte dos compradores dêem muito valor ao objecto em si preferindo o formato normal visto como mais digno e de maior valor acrescentado.” Aliando esta reverência à percepção de má qualidade associada a este formato, é natural que a preferência não recaía neste tipo de livros. “Hoje em dia este formato já tem procura associada e os editores têm colocado no mercado objectos de qualidade irreprimível e assim contribuído para que quem gosta deste tipo tenha a tranquilidade de adquirir um bom livro igual ao formato tradicional. Apenas mais portável e mais barato”, conta o representante da Leya.
O esmero nas edições é um dos principais motivos para o crescimento do mercado fazendo com que várias editoras voltem a apostar neste “novo/velho” formato. Telmo afirma que “existindo outras colecções concorrentes no mercado, a dimensão do mercado do livro de bolso irá aumentar.” Em 2007, numa colaboração inédita entre editoras portuguesas, a Assírio & Alvim, a Relógio D’Água e a Cotovia lançaram uma colecção de bolso reunindo alguns dos principais autores clássicos e contemporâneos, criando a Biblioteca Editores Independentes. Também a Bertrand, em 2008, lançou a sua 11/17, uma colecção de livros de bolso, cujo nome coincide com as dimensões dos volumes. A experiência de vendas faz com que as livrarias percebam as diferenças entre o público consumidor destes livros e das edições originais. Os leitores mais jovens, que estão dispostos só a conhecer a obra preferem o formato bolso, enquanto os mais velhos, preocupados com a formação de bibliotecas particulares, optam pelo luxo das edições mais caras.
Práticos e baratos, os livros de bolso vão conquistando uma fatia expressiva do mercado. Os livros de bolso permitem-lhe conhecer novos autores, mergulhar em clássicos da literatura e isto sempre a preços bastante inferiores quando comparados com os de formato regular. Hoje, ocupam as mãos de leitores em salas de aulas, filas de espera e em todos os meios de transporte. Espera-se que esta evidência venha a ajudar a aumentar os níveis de literacia e leitura em Portugal.
Artigo da autoria de Luísa de Carvalho, publicado no Weekend Económico, no dia 22 de Agosto de 2009.