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LEYA BIS – LIVROS DE BOLSO

LIVROS DE BOLSO DA COLECÇÃO BIS

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"INTELECTUAIS E ARTISTAS CONSTRUÍRAM IDENTIDADE CABO-VERDIANA" – GERMANO ALMEIDA

Os intelectuais e artistas foram essenciais na construção da identidade de Cabo Verde, beneficiando da “proximidade” e do “orgulho” que o país dedica às suas obras, defendeu o escritor Germano Almeida.

O escritor cabo-verdiano falou à Lusa após uma palestra no centro de estudos portugueses da Universidade de Massachusetts, onde no passado dia 14 proferiu uma conferência intitulada "Literatura e Identidade: Reflexões de um Escritor Cabo-Verdiano".

“A identidade cabo-verdiana foi muito construída pelos intelectuais. Todos temos muito orgulho nas suas obras”, afirma o escritor cabo-verdiano.

Mais do que o seu contributo individual, Almeida prefere falar de Eugénio Tavares, Loff de Vasconcelos, Guilherme Dantas, ou intelectuais mais recentes como Baltasar Lopes, Laureano Gonçalves, Manuel Lopes ou Corsino Fortes, entre outros.

“São todos autores de que o povo cabo-verdiano muito se orgulha”, afirma Almeida.

“A identidade construiu-se na música, na literatura, na afirmação de uma tradição literária de oralidade, nos poetas, seja ou não a poesia transformada em música. O cabo-verdiano é muito mais poeta do que prosador”, afirma.

Ao contrário de outros países, refere, em Cabo Verde “não há distanciamento” entre as elites intelectuais e os menos instruídos.

Almeida posiciona-se em equidistância no debate sobre a preponderância do português ou do crioulo em Cabo Verde; se o crioulo é uma “realidade incontornável”, já o português é preciso como “língua de contacto com outros povos”.

“Ambas as línguas fazem parte da identidade cabo-verdiana. Se alguém tem a ganhar espaço é o português, pois é menos falado. A questão põe-se na necessidade de continuarmos a ter e a estudar as duas línguas, na medida do possível em pé de igualdade.”

Do contacto com a comunidade cabo-verdiana nesta primeira viagem de quase duas semanas aos Estados Unidos guarda o apego dos imigrantes à cultura de origem, a par de um “fascínio” pela cultura de consumo norte-americana.

“Estive no carro com diversos cabo-verdianos e as emissoras que eles sintonizam são todas de língua portuguesa ou de crioulo, portanto acho que estão em contacto permanente [com Cabo Verde], até talvez um bocadinho excessivo. Deviam também ter a preocupação de entrar na cultura do país onde estão”, disse à Lusa.

“O fascínio que constatei na comunidade sobre a vida nos Estados Unidos impressionou-me positivamente. Sobretudo a qualidade de vida que conseguem ter aqui e que nunca sonharam poder ter em Cabo Verde. Trabalha-se, trabalha-se, trabalha-se... mas o facto de serem compensados minora o cansaço. As pessoas estão numa sociedade de intenso consumo mas trabalhando têm possibilidade de consumir”, adianta.

Sentimento da saudade “está muito presente”, tal como na cultura portuguesa.

Sobre os Estados Unidos afirma não ter tido “tempo de formar uma ideia”, até porque esteve mais em contacto com cabo-verdianos e portugueses, mas a “simpatia” norte-americana surpreendeu-o.

“Temos a ideia de o norte-americano ser uma pessoa antipática, mas na realidade não. As pessoas com quem contactei e me cruzei são de uma extrema simpatia. Achei muito interessante. Isto vai desfazer a ideia que eu tinha, transmitida pelos livros”, afirma.

LUSA

 

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